Hello! It's me!

Essa coluna "Precisamos falar sobre" já faz algum tempo que tenho vontade de fazer, pois tem assuntos que eu sinto vontade de falar. Como eu não consegui terminar minha leitura do livro que seria resenhado hoje, decidi que esse seria o melhor momento para por a coluna em prática.

Amoras, tenho visto e sentindo tanta falta de conhecimento sobre o feminismo e suas lutas que eu decidi finalmente escrever sobre.
Muitas mulheres dizem "não sou feminista" ou que "o feminismo não me representa" e isso me dói muito. Por quê? Bem, porque toda mulher é feminista... Toda mulher quer o ponto forte do feminismo: Igualdade entre os gêneros. Quem não quer igualdade? Nunca vi uma mulher que diz "eu quero ser inferior ao homem".

Eu me descobri feminista faz alguns anos, mas o engraçado que é na verdade eu sempre fui feminista. Eu já escolhia o que vestir, como pensar, quem amar, o que fazer da minha vida... E SEMPRE ficava indignada quando um homem tinha mais privilégios que eu.



Vamos conhecer mais sobre essa luta?

Definição: Feminismo é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens.

O "embrião" do movimento feminista surgiu na Europa em meados do século XIX, como uma consequência dos ideais propostos pela Revolução Francesa, que tinha como lema a "Igualdade, Liberdade e Fraternidade". As mulheres queriam estar inseridas no turbilhão de mudanças sociais que estas revoluções traziam, principalmente para se sentirem mais cidadãs em uma sociedade historicamente regida pelo patriarquismo.

No entanto, o feminismo só começou a se popularizar no mundo ocidental nas primeiras décadas do século XX, questionando o poder social, político e econômico monopolizado pelos homens. O feminismo, como muitos pensam erroneamente, não é um movimento de sexista, ou seja, que defende a figura feminino sobre o masculino, mas sim uma luta pela igualdade entre ambos os gêneros.

Atualmente, não são apenas as mulheres que se intitulam ou compartilham de pensamentos feministas - assim como existem muitas que também apoiam o esquema de uma sociedade machista - alguns homens, que se sentem "pressionados" ou incomodados com as "regras de comportamento social do machismo", partilham da mesma visão de liberdade e direitos igualitários entre os sexos.

Um dos símbolos que impulsionou o feminismo em meados da década de 1960 foi a publicação do livro "O Segundo Sexo", da escritora feminista francesa Simone de Beauvoir, que desconstruiu a imagem de que a "hierarquização dos sexos" seria uma questão biológica, mas sim unicamente o fruto de uma construção social pautada em séculos de regimes patriarcais.

A partir deste período, começa a se disseminar o chamado Feminismo Radical, uma ramificação do pensamento feminista que acredita só ser possível "exterminar" o machismo com uma revolução profunda e geral, eliminando os regimes patriarcais. As feministas radicais ainda acreditam ser necessárias mudanças na legislação dos países, criando privilégios e leis de proteção ao gênero feminino, por exemplo.

Feminismo e Femismo

Feminismo e femismo possuem significados completamente diferentes.

O feminismo é um movimento social de "quebra" da hierarquização dos sexos, do sexismo e do machismo, reivindicando igualdade de direitos entre homens e mulheres.

O femismo, por sua vez, pode ser considerado o sinônimo do machismo (ao mesmo tempo que é seu oposto), pois trata-se de uma ideologia de superioridade da mulher sobre o homem. O femismo, assim como o machismo, prega a construção de uma sociedade hierarquizada a partir do gênero sexual; baseada em um regime matriarcal.

Feminismo e Machismo

Ao contrário do que prega o machismo, como um movimento de repressão e repúdio aos direitos igualitários entre homens e mulheres, o feminismo funciona não como uma tentativa de sobrepor o "poder feminino" sobre o masculino, mas sim de lutar pela igualdade entre mulheres e homens em todos os setores da sociedade.

Feminismo no Brasil

O movimento feminista no Brasil começou a tomar corpo no começo do século XX, mais precisamente entre as décadas de 1930 e 1940.

A estrutura familiar e social do brasileiro era totalmente construída sobre a figura do homem; um regime patriarcal. O feminismo no país surgiu, assim como em outros cantos do mundo, como uma tentativa de inserir a mulher brasileira na sociedade, dando voz e expressão às suas necessidades.

Um dos grandes marcos do movimento feminista no Brasil foi a conquista do direito ao voto nas eleições, em 1934, durante o governo do presidente Getúlio Vargas.

FONTE: SIGNIFICADOS:FEMINISMO


Agora vamos falar sobre algumas ideias e pautas feministas?


- Mulheres são pessoas e merecem direitos iguais;

- Mulheres devem ganhar salários iguais aos dos homens no desempenho da mesma função;

- Mulheres não devem ser discriminadas no mercado de trabalho e suas oportunidades não devem ser limitadas aos papéis de gênero que a sociedade impõe sobre elas;

- Não é obrigação da mulher cuidar da casa, dos filhos e do marido. Os afazeres domésticos e cuidado com as crianças devem ser de igual responsabilidade para homens e mulheres;

- Nenhuma mulher é uma propriedade. Nenhum homem tem o direito de agredir fisicamente ou verbalmente uma mulher, ou ainda determinar o que ela pode ou não fazer;

- O corpo da mulher é de direito somente da mulher. A ela cabe viver a sua sexualidade como bem entender, decidir como vai dispor de seu corpo e da sua imagem, com quem ou como vai se relacionar;

- Qualquer ato sexual sem consentimento é estupro. Nenhum homem tem o direito de dispor sexualmente de uma mulher contra a vontade dela;

- Nunca é culpa da vítima;

- Assédio de rua é uma violência. A mulher tem o direito ao espaço público (e também ao transporte público) sem ser constrangida, humilhada, ameaçada e intimidada por assediadores;

- A representação da mulher na mídia não pode nos reduzir a estereótipos que nos desumanizam e ajudam a nos oprimir;

- Mulheres não são produtos. Não podem ser tratadas como mercadoria, isca para atrair homens, moeda de troca ou prêmio;

- A representação das mulheres deve contemplar toda a sua diversidade: somos negras, brancas, indígenas, transexuais, magras, gordas, heterossexuais, lésbicas, bi, com ou sem deficiências. Nenhuma de nós deve ser invisível na mídia, nas histórias e na cultura;

- A voz das mulheres precisa ser valorizada. A opinião das mulheres, suas vivências, ideias e histórias não podem ser descartadas ou consideradas menores pelo fato de serem mulheres;

- O espaço político também é um direito da mulher. Devemos ter direito ao voto, a sermos votadas, representadas politicamente e a termos nossas questões contempladas pelas leis e políticas públicas;

- Papéis de gênero são construções sociais e não verdades naturais e universais. Nenhum papel de gênero deve limitar as pessoas, homens ou mulheres, ou ainda permitir que um gênero sofra mais violência, seja mais discriminado, tenha menos direitos e considerado menos gente;

- Mulheres trans são mulheres e, portanto, são pessoas. Todas as pessoas merecem ter sua identidade respeitada;

- Se duas mulheres decidem viver juntas (ou dois homens), isso não é da conta de ninguém e o Estado deveria reconhecer legalmente essas uniões;

- Não existe tal coisa como “mulher de verdade”. Todas as mulheres são bem reais, independente de se encaixar em algum padrão;

- Mulheres não existem em função de embelezar o mundo. Muito menos em função da aprovação masculina;

- Amar o próprio corpo e se sentir bem com a própria aparência não deve depender dos padrões de “beleza”;

- Mulher não “tem que” nada, se não quiser. Isso vale para ser “amável” ou falar palavrão, fazer sexo ou não fazer, se depilar ou não depilar, usar cabelo grande ou curto, "encontrar um homem” ou ficar solteira, sair com vários caras ou preferir mulheres, ter filhos ou não ter, gostar de maquiagem ou não;

- Não existe isso de "se dar o valor" ou "mulher de respeito", toda mulher deve ser respeitada independente do que ela veste, pensa ou faz;

- A mulher não é "obrigada a ter filhos" para poder constituir uma família, ela decide o que é uma família. Seja com outra mulher, com apenas o companheiro, tendo animais de estimação etc.;

- Toda mulher tem o direito de escolher o que quer fazer com o seu corpo. Seu corpo, suas regras.


Escuto muito...

Mas "eu gosto de cuidar da minha casa", "gosto de ser dona de casa", "gosto de me depilar"... Isso é direito seu! Também é pauta no feminismo a ideia de que a mulher decide o que quer ser e fazer. Você é dona de si! Não deixa de ser mulher ou feminista se decide que quer cuidar da sua casa, dos filhos, se depilar ou se dedicar exclusivamente ao marido. Porem, VOCÊ tem de QUERER isso! Não fazer tudo isso porque é obrigada pelo companheiro e/ou sociedade. Eu sou feminista, cuido da minha casa e me depilo! Nem por isso deixo de lutar pelos direitos das mulheres.

Toda mulher tem o direito de decidir com quem quer casar, tem direito de votar, de vestir o que quiser, de fazer o que quer... Porque outras mulheres lutaram por isso.

Não humilhe outra mulher, coloque-se no lugar dela!


Fico extremamente triste quando escuto: "mulher apanha porque gosta", "sai de roupa curta porque quer que olhem", "foi estuprada porque estava pedindo" ou "se apanha do marido/namorado e ainda está com ele, é porque gosta"... Isso dói ainda mais quando vem de outras mulheres. Pensem bem: Muitas mulheres que sofrem de relacionamentos abusivos, não saem deles sozinhas pois tem medo. Muitas mulheres que saem de roupas curtas é porque gostam ou estão com calor (tipo eu) e não estão nem querendo e nem pedindo para olharem ou serem estupradas. Que mulher gosta de ser estuprada? NENHUMA! Jamais desejem que a mana seja estuprada, isso é algo que nenhuma mulher deveria passar na vida! Se você sabe de alguma mulher que sofre com um relacionamento abusivo, DENUNCIE! Ligue no 180!

Existe homem feminista?

Bem, essa é uma questão muito discutida, então, darei a minha plena opinião mesmo.
EU não acredito que há homem feminista. "Mas nossa Isabela, por quê?", eu não acredito pelo simples fato de que homens não sofrem com o machismo. Jamais saberão dizer o quanto o machismo mata milhares de mulheres. Existem homens que apoiam o feminismo sim, nesse caso, atribuo o nome de "homem pró feminista" pois são aliados, mas não protagonistas
Ah! Não adianta dizer que apoia o feminismo e dar risada das piadas machistas dos amigos, não dizer nada quando um amigo assedia uma mulher etc. 


Poucos sabem, mas o 3º objetivo do milênio é destinado a igualdade entre gêneros. Será mesmo que o feminismo é coisa da nossa cabeça?
Pare, repense e problematize! Já percebeu quantas atitudes machistas nós temos? Quantas coisas machistas "discretas" vemos no dia a dia? Eu mesma já desconstrui muita coisa, tenho muito o que aprender e lutar. Mas e você mana? Ainda acha que o feminismo é radical e que não te representa? Você pode não concordar com outras vertentes, mas se quer a igualdade entre gêneros... Isso já é ser feminista e você já luta pelo ponto principal.


Dois livros que tenho e ajudam a entender essa luta:




Título: Mulheres
Autora: Carol Rossetti
Editora: Sextante
Páginas: 160
Ano: 2015




Sinopse: Em 2014, a ilustradora Carol Rossetti começou a desenhar mulheres diversas para testar seus lápis de cor. Nunca poderia imaginar que suas criações despretensiosas ganhariam o mundo e iriam viralizar na internet a ponto de se tornarem matéria na CNN.
Com um traço característico e frases inspiradoras, Carol quebrou tabus e espalhou uma mensagem que ecoou em mulheres do mundo todo: somos fortes, merecedoras de respeito e especiais do jeito que somos independentemente de opiniões e julgamentos alheios.
Agora, essa mensagem ganha o formato de livro e inclui textos sobre os temas centrais abordados em suas ilustrações, como corpo, estilo, identidade, relacionamentos e superação.
Com os direitos já vendidos também para Estados Unidos, Espanha e México, o trabalho da autora mineira questiona preconceitos e provoca reflexões profundas.

Links: Carol RossettiSaraivaSkoob





Título: Vamos Juntas?
Autora: Babi Souza
Editora: Galera Record
Páginas: 144
Ano: 2016




Sinopse: Toda mulher já se sentiu insegura na hora de sair sozinha na rua. O risco de ser abordada, perseguida ou assediada é uma realidade. Mas, um dia, uma moça chamada Babi Souza teve uma ideia simples e revolucionária: da próxima vez em que você estiver sozinha, olhe para os lados. Pode ter outra mulher andando na mesma direção. Por que não vão juntas?
Logo, o movimento Vamos Juntas? conquistou moças em todo o Brasil, se tornando um símbolo de união feminina e feminismo, na defesa por direitos iguais entre homens e mulheres. Aos poucos, muitas mulheres mudaram sua forma de enxergar o dia a dia e a moça ao lado.
Além de dados sobre o feminismo, que mostram como ainda há tanto a ser conquistado, este guia traz relatos de mulheres que aprenderam, junto ao Vamos Juntas?, a enxergar companheiras umas nas outras. A se unir, ao invés de rivalizar.

Links: Vamos Juntas?, Saraiva, Skoob


Alguns videos sobre o feminismo que eu amo e uma música para descontrair:

Emma Watson:




Chimamanda Ngozi Adichie:



E o "Miga sua loca":










2 Comentários

  1. Adorei o post, deixou tudo muito esclarecido. Admito que não sabia a diferença de feminista e femista e agora entendo as manifestações extremas, as pessoas não sabem distinguir. Também sou a favor dos direitos igual e não admito que me coloquem abaixo de qualquer homem, por isso entendo a luta. A violência contra a mulher é alto muito comum que precisa ser combatido, eu acredito em um futuro melhor para as mulheres! Post muito bom!

    http://www.leitorasvorazes.com.br/

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    1. Obrigada! Sim, algumas lutas são mais fortes que outras, muitas manas confundem o que de fato é o feminismo.

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